Trabalho que apelidei de Duo Pocket. Eu e Oscar Andrade tocamos juntos há uns cinco anos, mais ainda não tinhamos nenhum material disponível em vídeo.Agora que nunca assistiu pode conferir.

Trabalho que apelidei de Duo Pocket. Eu e Oscar Andrade tocamos juntos há uns cinco anos, mais ainda não tinhamos nenhum material disponível em vídeo.Agora que nunca assistiu pode conferir.
O Show “Sambar é Bom” na versão Duo com Kiko Continentino e Lucynha deixou um sabor de quero mais no público. O renomado pianista, compositor e arranjador pode passear pela cidade com sua família antes da apresentação deste show que foi um dos grandes momentos do Projeto SOM NA PRAÇA da Secretaria de Cultura de Guararema.Fui convidada a participar da apresentação. Tive o prazer de subir ao palco com dois músicos incomparáveis, grandes amigos. Rolaram essas imagens do show ao vivo, onde eu canto Balança a Pema e Mais que Nada com com Lucynha a quem respeito pela técnica apurada, ritmos na interpretação e pela forma precisa que as melodias aparecem na sua voz, e ao lado de Kiko, um dos maiores expoentes de seu tempo, músico respeitado por artistas como Milton Nascimento, Jane Duboc, Gilberto Gil, entre outros.
Veja cenas da performance e tente me reconhecer. Estou no centro do vídeo. Cabelos Pretos na altura da orelha. Juan Loyola foi um artista venezuelano, influente, respeitado e controverso. Uma personalidade impar, um homem contemporâneo. Poeta, Escultor, Pintor, Fotógrafo, Cineasta y Performancista. Juan procurava jovens artistas para apoia-lo na segunda intervenção com a performance “FMI anda la puta que te Pario”. Eu frequentava a Funarte e tive contato com sua diretora, a quem devo à indicação do meu nome ao Juan. Infelizmente não me lembro do nome dela. Eu não falava bem o castelhano, ele não dominava totalmente o português, mas naquela noite ficou acertado que eu ficaria responsável pela seleção dos participantes , ele partiria para a Venezuela e estaria de volta ao Brasil 20 dias antes da performance com recursos e contatos para garantir a realização pacífica da ação. Sarney era o presidente Alguns mêses se passaram. Um belo dia o telefone tocou : – Djane, é o Juan estou em um flat no Ibirapuera. Da minha parte estava tudo certo, todos já estavam articulados e os dias que se passaram foram de um aprendizado inesquecível para mim. Com Juan aprendi a produzir, aprendi quanta coragem um artista tem que ter, aprendi sobre pintura, sobre poesia, sobre a vida de um artista, sobre diplomacia, sobre ter razão, sobre respeito ao semelhante, sobre performance. Juan me mostrou o mundo das artes, ao seu lado pude conhecer os bastidores do mundo artístico e desmistificar muitas ilusões dos meus 18 anos.Era 1.989. Me orgulho de ter participado desta intervenção e guardo uma cobertura completa feita em slides. Não segui com Juan pelo mundo. Não esqueci aqueles dias. Esta semana encontrei o documentário e postei. Foi uma agradável surpresa. Nosso presidente era José Sarney. Jânio Quadros era prefeito de São Paulo. Nas ruas a polícia ainda assustava inocentes. Eu morava no largo de Santa Cecília. Meus amigos eram pessoas disposta. A Globo fugiu de nós. O SBT cubriu ao vivo. Minha avó teve medo quando viu pela televisão. Todos ficamos bem. Não houve vandalismo. Nada foi estragado. Deixamos claro nossa posição. A tinta vermelha significava o sangue das vítimas da pressão econômica. A máscara do Mc Donalds, nem preciso explicar. Juan faleceu em 1.999, sua memória e sua obra permanecem. Obrigada Juan.
Foram 2 intervenções.
1989 – 20 Bienal Internacional de São Paulo
1989 – Bienal de Veneza.
Fui uma espécie de assistente do artista na articulação e produção da performance. Loyola me contatou pela primeira vez durante uma exposição na Funarte. Foi à Venezuela. No mês da Bienal voltou ao Brasil. Quando chegou eu tinha uma turma da pesada: Adriana Consorte, Aúreo Gabriel, Caca Diniz e o saudoso Dilson Marinho. Aos poucos outros artistas começaram a nos procurar e Juan começou um processo de articulação política que espalhou aos quatro cantos da arte que alguma coisa iria acontecer. O ambiente em São Paulo ainda era tenso. Há muito tempo ninguém sumia de verdade, mas era preciso certa coragem para a rampa da Bienal no dia de sua inauguração, com um grupo organizado, todos de branco, com as máscaras do Mc Donalds e gritar FMI anda la puta que te pario. Juan levou sua visão crítica sobre a os lamentos e as dores do povo sul americano com as pressões econômicas do FMI a importantes personalidades Não fomos presos devido ao prestigio de Juan Loyola.