20 Bienal Internacional de São Paulo

Veja cenas da performance e tente me reconhecer. Estou no centro do vídeo. Cabelos Pretos na altura da orelha. Juan Loyola foi um artista venezuelano, influente, respeitado e controverso. Uma personalidade impar, um homem contemporâneo. Poeta, Escultor, Pintor, Fotógrafo, Cineasta y Performancista. Juan procurava jovens artistas para apoia-lo na segunda intervenção com a performance “FMI anda la puta que te Pario”. Eu frequentava a Funarte e tive contato com sua diretora, a quem devo à indicação do meu nome ao Juan. Infelizmente não me lembro do nome dela. Eu não falava bem o castelhano, ele não dominava totalmente o português, mas naquela noite ficou acertado que eu ficaria responsável pela seleção dos participantes , ele partiria para  a Venezuela e estaria de volta ao Brasil 20 dias antes da performance com recursos e contatos para garantir a realização pacífica da ação. Sarney era o presidente Alguns mêses se passaram. Um belo dia o telefone tocou : – Djane, é o Juan estou em um flat no Ibirapuera. Da minha parte estava tudo certo, todos já estavam articulados e os dias que se passaram foram de um aprendizado inesquecível para mim. Com Juan aprendi a produzir, aprendi quanta coragem um artista tem que ter, aprendi sobre pintura, sobre poesia, sobre a vida de um artista, sobre diplomacia, sobre ter razão, sobre respeito ao semelhante, sobre performance. Juan me mostrou o mundo das artes, ao seu lado pude conhecer  os bastidores do mundo artístico e desmistificar muitas ilusões dos meus 18 anos.Era 1.989.  Me orgulho de ter participado desta intervenção e guardo uma cobertura completa feita em slides. Não segui com Juan pelo mundo.  Não esqueci aqueles dias. Esta semana encontrei o documentário e postei. Foi uma agradável surpresa. Nosso presidente era  José Sarney. Jânio Quadros era prefeito de São Paulo. Nas ruas a polícia ainda assustava inocentes. Eu morava no largo de Santa Cecília. Meus amigos eram pessoas disposta. A Globo fugiu de nós. O SBT cubriu ao vivo. Minha avó teve medo quando viu pela televisão. Todos ficamos bem. Não houve vandalismo. Nada foi estragado.  Deixamos claro nossa posição. A tinta vermelha significava o sangue das vítimas da pressão econômica. A máscara do Mc Donalds, nem preciso explicar. Juan faleceu em 1.999, sua memória e sua obra permanecem. Obrigada Juan.

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