Este slideshow necessita de JavaScript.
Paraty, 23 de julho, 23:36 h. O show vai começar em segundos. Nosso anfitrião distribui biscoito da sorte à banda , guardo na bolsa da câmera e vejo o horário, 23:36, finalmente vai começar. “Djane & Os Camaradas” . Nem acredito. Passei tantos descontentamentos para chegar contente a este show que nem acredito que no final tudo está dando certo. É uma festa de aniversário super produzida com cartaz, flyer, apoio cultural, copo personalizado, banda, coluna social e…na rua. Isso mesmo – o aniversariante fechou uma daquelas bucólicas ruas de Paraty e fez uma festa. “Viva Las Vegas”. Surreal, estranho e bucólico, mas apropriado se pensarmos na partida da Amy Winehouse e na forma como “os camaradas” se transformaram em os camaradas da guig através de um ensaio e uma produtiva e animada viajem regada a música, pandas, paradas, rosa mística e conversas. Conheci o baterista na Van, trazido pelo Betinho o que por si só já é uma boa indicação. Acostumada a tocar com Rodrigo Digão fiquei paralisada quando ensaiei com outro batera. (Ainda vou escrever um post só sobre o Digão). Sem ele, pensei em cancelar, foi o Digão quem não deixou e no final o Pedro Torres representou. Salve Pedro! Rafael Alves -estreando bem na guig deu o apoio da opinião sincera, da dedicação necessária e do indispensável talento. Talento que sempre procuro e acho nos músicos com quem tive, tenho ou terei o prazer de trabalhar. Divaguei agora… voltando ao show. Tinha tudo para dar errado, mas deu certo, com direito a bis e aplausos em todas as músicas. Tudo(ou quase tudo) o que passamos na Van foi tocado de forma que a descontração criou espaços para improvisações e outras cositas más. Já subi no palco sabendo que a banda estava bem, mas não esperava tanto do público. Gostei. Todo mundo cantando, dançando, curtindo, bebendo e balançando a cabeça, acenando de longe. No final a coisa já estava de um jeito que o rock começou a sair um na sequência do outro, paramos com aquele gostinho de quero mais e com tempo para curtir um pouco antes de bater em retirada. Acho que ainda conversávamos e riámos na Van até a apagada geral que aconteceu quando o Benigno desceu em Caraguá. Grande músico o Bê, gosto muito da criatividade e da visão musical para além do contra baixo que ele possui e que com os camaradas pode exercitar. Divaguei de novo, onde eu estava ? Na apagada geral, pois é, acordei quando estávamos quase chegando, bebi muita água por isso quase não sentia o gosto da vodka com energético. Me comportei muito bem, tomei só duas vodkas depois do show. Tudo bem, uma dose antes. Tudo bem. Aliás já ia esquecendo da partida da Amy…falei umas poucas palavras sobre ela e entrei em um apagão que me fez cantar apenas a estrofe onde ela diz que só precisa de um amigo, muito estranho. Depois “voltei” a mim e continuei o show naquele praticável 4 x 4 com meio metro de altura montado em uma tenda de 8 m x 8 m em uma bucólica rua de Paraty. Rolou, resolvo pegar as as fotos mal tiradas para compartilhar a memória deste show quando acho o biscoito da sorte e finalmente abro e leio. “O descontentamento é o primeiro passo para o progresso” lembrei do início desta história e sorri contente.